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Central Banking · Independent Analysis

Banco de Inglaterra escolhe quatro animais para as notas da Série H: o que sinaliza para a estratégia de numerário

O grupo consultivo de imagens do Banco de Inglaterra recomendou um papagaio-do-mar, uma coruja-das-torres, uma abelha e um ouriço para a próxima série de notas, equilibrando a preferência pública com a resiliência à contrafação.

Fonte: Bank of England

O que está em jogo

O Banco de Inglaterra deu mais um passo para fixar as imagens da próxima geração de notas. Um grupo consultivo recomendou quatro animais nativos para a Série H. A decisão é estética, não de taxas de juro, mas revela como o banco central encara o futuro do numerário. Em Portugal, o Banco de Portugal acompanha a mesma tendência: as notas de euro também são redesenhadas com foco em segurança e diferenciação visual.

Factos principais

Numa reunião de 15 de julho de 2026, cujas atas foram publicadas em 16 de outubro de 2026, o Grupo Consultivo de Imagens de Notas (BIAG) analisou o resultado de uma consulta pública que recolheu quase 500 mil respostas por inquérito online, correio, email e telefone.

Os participantes podiam escolher até dois animais de cada uma de três categorias: mamíferos; aves; e anfíbios, insetos e peixes. Os membros disseram que o volume de participação mostrou que o tema ressoou junto do público.

O BIAG acordou recomendar quatro animais ao Governador como imagem central das quatro denominações da Série H: o papagaio-do-mar-do-Atlântico, a coruja-das-torres, a abelha-de-cauda-fulva e o ouriço-europeu. A Caixa-Mor, Victoria Cleland, transmitirá a recomendação ao Governador para uma opinião indicativa antes de o Painel de Especialistas ser consultado sobre como os animais devem ser representados, incluindo a escolha do habitat. A decisão final cabe ao Governador, com anúncio público previsto para o outono.

Os membros guiaram-se por três objetivos: apoiar a resiliência à contrafação, refletir a preferência pública e celebrar a diversidade da natureza do Reino Unido. O grupo atualizou ainda os seus Termos de Referência para incluir o Diretor do Programa de Inovação de Notas como membro central.

Análise

A escolha do papagaio-do-mar é o detalhe mais revelador. A raposa e o guarda-rios atraíram mais escolhas nas suas categorias, mas o papagaio-do-mar foi incluído por trazer um ambiente marinho que os outros não proporcionavam. É uma decisão de design movida pela segurança, não pela popularidade.

Os bancos centrais tratam as imagens das notas como instrumento antifalsificação. Formas, movimentos e habitats distintos facilitam a distinção das denominações à primeira vista e dificultam a produção de falsificações convincentes. Ao escolher quatro animais com silhuetas e cenários muito diferentes, o Banco privilegia a diferenciação visual em vez de um mero concurso de popularidade.

Há também um ângulo prático: os movimentos dos animais podem ser integrados em elementos de segurança para ajudar na autenticação. Isto sugere que a próxima série apostará em elementos dinâmicos ou opticamente variáveis, em linha com a tendência global para numerário físico mais sofisticado.

Implicações

A recomendação sinaliza que o Banco continua empenhado numa série de notas duradoura e bem desenhada, mesmo com o crescimento dos pagamentos digitais. Para investidores e analistas, o contexto mais relevante é o trabalho paralelo do Banco sobre a libra digital e a agenda do Futuro do Dinheiro, refletido na presença do responsável por essa área.

Uma moeda física forte e uma potencial CBDC de retalho não são mutuamente exclusivas. O Banco parece estar a diversificar: moderniza as notas enquanto explora alternativas digitais. Para empresas de pagamentos, operadores de transporte de valores e impressoras de segurança, o calendário da Série H implica investimento plurianual em produção e tecnologia de autenticação.

Para o público em geral, a dimensão da consulta recorda que o design das notas tem peso simbólico. O Banco deve ainda cumprir o seu dever de igualdade no setor público ao longo do processo, uma restrição que molda a escolha e a representação das imagens.

Perguntas frequentes

Que animais recomendou o Banco de Inglaterra para as próximas notas?

O grupo consultivo recomendou o papagaio-do-mar-do-Atlântico, a coruja-das-torres, a abelha-de-cauda-fulva e o ouriço-europeu como imagem central das quatro denominações da Série H, sujeito à aprovação final do Governador.

Porque foi escolhido o papagaio-do-mar em vez de animais mais populares?

O papagaio-do-mar foi incluído por representar um habitat marinho que a raposa ou o guarda-rios não podiam oferecer, ajudando a maximizar a diferenciação visual entre denominações e a apoiar a resiliência à contrafação.

Quando serão os animais anunciados publicamente?

O Banco pretende anunciar os quatro animais no outono, depois de o Governador dar uma opinião indicativa e de o Painel de Especialistas ser consultado sobre como os animais devem ser representados.

O que isto significa para os leitores em Portugal

A Série H britânica é um lembrete de que a segurança do numerário continua a ser uma prioridade para os bancos centrais, incluindo o Banco de Portugal e o BCE. Para quem acompanha o euro, a lição é clara: a inovação nas notas físicas e a exploração de uma moeda digital não competem — complementam-se. O calendário britânico sugere que os investimentos em autenticação e produção de notas continuarão a ser relevantes nos próximos anos, tanto no Reino Unido como na área do euro.